quarta-feira, 16 de julho de 2014


Us. 

Seria fácil escrever por linhas tortas, em um caderno velho, em meio ao fogo da fogueira do inverno passado; ao lado de uma garrafa de Ipioca, que quase nem foi tomada, mas o pouco que mandei no gargalo já me deixava inspirado tristemente o suficiente para compor poesias tristes. 
Mas nas madrugadas sóbrio, e com frio, ainda sinto seu calor ao meu lado. De repente me desperto, e já é manhã, manhãs frias tais como aquelas que despertava ao seu lado após uma longa noite de risadas  conversas que terminavam quando alguém não conseguia mais abrir os pesados olhos.
Duas almas em amor, é uma das sensações mais fortes que o homem pode sentir, quando nem o copo cheio puder preencher o que sente, e nem linhas infinitas puderem abrigar o que há dentro do coração; eles sabem que é o fim.
O cinzeiro de cada dia despejado no lixo cheio de cigarros mortos, sacrificados por um mero pensador que quanto mais pensa mais veneno joga aos seus pulmões.  
O dono do bar se surpreende pelo quanto as garrafas começam a diminuir a cada noite, o tanto de corações vazios que buscam preencher espaço pelo buraco grandioso deixado.
O calor, o suor, e as lágrimas sempre irão marcar os lençóis, as risadas sempre irão ecoar pelo quarto, e as lembranças sempre irão corromper o nobre coração.
E o famoso vazio, sempre fará companhia pra velha amiga... solidão


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Souvenirs comptés
(Memórias contadas.

A história de um homem triste e viajante, perdeu ela e tudo o que tinha, deixou pra trás seu coração e seguiu sua jornada, mas vinte anos passam rápido demais, e o que ele deixou pra trás, o que ele fez de tão errado...
tudo vem e volta como um pesadelo e um sonho contínuo. 
Como ele vai sair dessa, ele planta flores todos os dias, e suas memórias florescem em cada muda, essa é a história de um homem confuso.
Como ele foi deixar tudo pra trás, mas o passado vem e volta, vinte anos se passam num piscar de olhos.
Ele tem certeza de que ela não vai mais voltar, não sabe se isso é destino ou não, se trará felicidade ou não, se irá vê-la novamente ou não, tudo o que tem são pergunta
 s que o torturam noites e dias.

As vezes ele a vê em seus sonhos, vagando em um trem que vaga em meio ao nada, perto de um recanto de pássaros, apenas um sonho de um coração desesperado.
Copos vazios tentam preencher o que ele queria que voltasse a ser como sempre foi.
Mas ele olha todas as fotos, o desperdícios de uma vida, ou uma vida como deveria ser vivida.
Ele olha para todos os lados, mas só sobraram sonhos, fotos e memórias contadas.
Deixa o tempo levar tudo, até sua lápide ser feita e as fotos serem queimadas.





sexta-feira, 4 de abril de 2014

2ois

Duas almas, dois corações, dois caminhos... diferentes.
A cidade e o mundo estava tudo aos pés, debaixo dos olhos nada mais importava, não existiam outros planetas, ou outros seres... ali, eram apenas eles.
As almas tinham uma sintonia surpreendente, pareciam até almas interligadas de mundos antes-vida, algo além da morte, além da compreensão. Destino ou não, se cruzaram nessa vida também, na nossa noção de tempo, talvez por pouco dele. Mas na noção que não entendemos, uma eternidade de ensinamentos.
Os corações que até então, permaneciam no mais profundo sono, despertaram no amor. Causava calafrios, mal estar, tontura, suor nas mãos, ansiedade, saudade e alegria. Um liquidificador de tortura e pureza.
Pros desprezos de ambas as almas e corações, seus caminhos eram diferentes, após um período de desligamento do mundo e de seus problemas, após se curarem e marcarem ambas as vidas, se separaram...
No outro dia, o sol não ousou aparecer, o cinza tomou conta das lembranças de tudo que havia ficado pra trás. Alguns dias mais para se despedirem, forçadamente por uma razão que ambos não sabem qual.
Um pro Leste outro Oeste, um em direção aos fortes ventos, e outro em direção as tempestades. 
Os sábios sempre dizem que toda história tem seu fim, e essa talvez seja uma compreensão que nem alma, nem coração, nessa vida... compreenderão. 


terça-feira, 1 de abril de 2014

De repente Outono.

De repente, do mormaço do verão, gotas de chuva caem e o cinza dos dias tomam conta de tudo.
Aqui estou, debaixo de uma arvore, em meio ao cinza, o sol acaba de apontar. Veio junto com o vento, que resolveu também soprar.
As folhas secas caem a todo momento, fazem ótimas artes pelo chão, dando uma beleza aos concretos que pisamos todos os dias.
O cigarro queima mais rápido, já que o vento me ajuda a fuma-lo. 
Minha vó sempre diz que toda estação tem sua magia, que a gente tem que descobrir qual é a magia delas, eu concordo com isso. 
De repente tenho cinco anos de idade, faz frio, está serenando, e o vento uiva sem se importar se nos incomoda ou não. Tenho febre, e estou vendo desenho debaixo da coberta, sinto calor e frio ao mesmo tempo, também sinto dor de cabeça, mas isso não parece importar, vovó está cuidando de mim. Essa é uma das lembranças, de um outono de 1999, que irei guardar pro resto de minha vida.
De repente estou de volta, ao meu segundo cigarro, me deparando com as folhas caindo novamente, o sol vai embora, e percebo que estou rodeado de lembranças com que adoro recordar. 
É centro, faz barulho, mas parece que até as pessoas estão fazendo silêncio, me pergunto se também estão se recordando de outonos passados. Segundo o que o vento disse, estou rodeado de gente, mas ninguém está ao meu redor de verdade. Talvez isso responda minha pergunta.
Os pássaros cantam, mas é um canto de descanso, estão todos encolhidos, talvez estão contando histórias entre si. 
No outono passado, estávamos juntos, a rir e a fazer promessas do pra sempre. O outono passou, e a gente acabou. Não seremos pra sempre, mas o que vivemos naquele outono ficará pra sempre com a gente.
De repente outono, e será que ele ficará pra sempre em outro alguém e em mim também?



Days gone by.

Escrever é uma tarefa que me cabe com mais exito quando estou bêbado, hoje estou bêbado de saudade.
a cabana representa minha memória, num lugar distante, calmo e tranquilo, onde guardo os melhores momentos que já presenciei em minha vida, todos os dias passados.
É lá que vivo com exatidão, aquilo que me fez sorrir, refletir. Lá escuto as risadas das pessoas que me marcaram, suas histórias, o silêncio.
Os invernos que passamos em claro, ao redor de uma fogueira, bebendo, dando risada, contando acasos da vida.. ou destino.
Lá guardo os melhores aniversários, quando criança, onde muitas pessoas eram presentes, muitas que já se foram, e outras, que permanecem distantes.
Lá guardo as melhores lembranças de escola, dos amigos, dos professores, ainda é possível presenciar uma aula de matemática ou física que eram salvas com alguma piada que fazia a sala inteira dar risada.
Os amores, todos eles, que foram bem poucos, mas que foram de extrema intensidade. 
Na cabana ninguém morreu, todos estão lá, fazendo parte da minha vida enquanto existir. 
Os melhores amigos, que foram inúmeros, em diferentes ocasiões da minha vida, lá estão eles, me aconselhando novamente, me fazendo rir, mostrando a vida em bela aparência.
O único lugar que ninguém me tira, ou compra. O Meu bau precioso de histórias de minha vida.
Todos que passaram, e deixaram um pouco de si, viveram um momento pequeno, mas marcante, lá estão.
E lá que faço minha utopia. 
Na cabana dos dias passados.

'All the days gone by
Do you remember when we were the best of friends
All the days gone by
You know that memories never fade
As youre watchin all your days go by''


Aqui jaz.

Um dia as crianças brincarão de ''paz'', pois ela não existirá. 
Os bonecos serão deixados de lado,
E elas só usarão a imaginação pra brincar de um mundo melhor. 

Sairá dos ventres, com um capacete de guerra,
Seu pai provavelmente estará morto,
e a sua volta cinzas e corpos espalhados pelo chão.

O amor será tão raro, mais tão raro,
que só existirá escrito em muros,
os poucos que sobraram.

A comida e água será escassa,
e os abraços serão pinturas da morte,
mães morrendo com os filhos em seus braços.

Abrir os olhos e plantar amor e paz.
pois em breve haverá uma lápide:

''Aqui jaz amor,
Aqui jaz paz.
Aqui jaz, o coração do homem''


segunda-feira, 17 de março de 2014

A vida e o tempo.

dizem que o tempo é o maior aliado da vida nos momentos difíceis, sempre ouço dos mais velhos, de Shakespeare, Cazuza, Mario Quintana... Que o tempo é sagrado, é precioso, e pode custar caro se não soubermos aproveita-lo. 
O tempo é o relógio do viver, mas pode ser relativo para a morte, para um sonho, para um pensamento e até mesmo para um amor. 
Quando um alguém chora por outro alguém, sempre vem uma pessoa dizendo ‘’com o tempo passa’’. Ora essa, ainda lembro-me de meu primeiro dia na escola, do estomago embrulhando, o frio na barriga e o medo do que me esperava. Ainda me lembro da dor que senti quando vi meu vô, e melhor amigo, sendo enterrado. Lembro-me das pessoas chorando, lembro-me de tudo, só não sinto o que sentia, mesmo tendo a lembrança do que se passava.
Algumas pessoas vivem uma vida inteira olhando pro relógio, esperando a hora certa. E alguns, morrem sem saber que não há uma hora certa.
Todo sentimento se torna reciclável, quando se tem algo a aprender com ele e com o tempo. Podemos transformar o ódio em algo vago, o amor em uma paixão, a dor em um sorriso. E embora possam reciclar certas coisas, não podemos reciclar as lembranças... o livro da vida vira suas páginas, e nossa história estará pra sempre escrita nele.
As vezes demoramos pra entender o significado da vida, e de certa forma, talvez nunca entenderemos, mas não estamos aqui pra sermos sábios na arte da compreensão, estamos aqui pra ser sábios na arte do viver.
Quando abrir os olhos irá perceber o quão feio o mundo pode estar, e o quão ruim as pessoas podem ser, mas antes de deixar o mundo mais feio, lembre-se que sua vida só depende de suas atitudes.
À cada folha que se vira e cada linha que se preenche, o livro se esgota. A vida e o tempo, o tempo e a vida.