De repente, do mormaço do verão, gotas de chuva caem e o cinza dos dias tomam conta de tudo.
Aqui estou, debaixo de uma arvore, em meio ao cinza, o sol acaba de apontar. Veio junto com o vento, que resolveu também soprar.
As folhas secas caem a todo momento, fazem ótimas artes pelo chão, dando uma beleza aos concretos que pisamos todos os dias.
O cigarro queima mais rápido, já que o vento me ajuda a fuma-lo.
Minha vó sempre diz que toda estação tem sua magia, que a gente tem que descobrir qual é a magia delas, eu concordo com isso.
De repente tenho cinco anos de idade, faz frio, está serenando, e o vento uiva sem se importar se nos incomoda ou não. Tenho febre, e estou vendo desenho debaixo da coberta, sinto calor e frio ao mesmo tempo, também sinto dor de cabeça, mas isso não parece importar, vovó está cuidando de mim. Essa é uma das lembranças, de um outono de 1999, que irei guardar pro resto de minha vida.
De repente estou de volta, ao meu segundo cigarro, me deparando com as folhas caindo novamente, o sol vai embora, e percebo que estou rodeado de lembranças com que adoro recordar.
É centro, faz barulho, mas parece que até as pessoas estão fazendo silêncio, me pergunto se também estão se recordando de outonos passados. Segundo o que o vento disse, estou rodeado de gente, mas ninguém está ao meu redor de verdade. Talvez isso responda minha pergunta.
Os pássaros cantam, mas é um canto de descanso, estão todos encolhidos, talvez estão contando histórias entre si.
No outono passado, estávamos juntos, a rir e a fazer promessas do pra sempre. O outono passou, e a gente acabou. Não seremos pra sempre, mas o que vivemos naquele outono ficará pra sempre com a gente.
De repente outono, e será que ele ficará pra sempre em outro alguém e em mim também?

Nenhum comentário:
Postar um comentário